Semente
Bruta
Seiva
Ininterrupta
Química
Turva
Simbiose
Gratuita
Liberdade
Fortuita.
o mergulho
fecha os olhos e mergulha,
agora vai, voa
pode respirar,
traz o céu pro mar,
que a água é teu lar
e nunca falta ar
no infinito azul.
agora vai, voa
pode respirar,
traz o céu pro mar,
que a água é teu lar
e nunca falta ar
no infinito azul.
covardes verdades
foi um dia esquisito na cidade,
quando começou a chover verdade.
a violência das palavras quebrou janelas
e parou algumas máquinas.
na tv o noticiário subestimava,
lá fora o povo se desmassificava.
covardes buscaram marquises,
poderosos se trancaram em casa,
mas muitas crianças saíram às ruas
e famílias se encontraram nas praças.
a chuva fez estrago
destruiu, libertou e esclareceu.
deixou sequelas irreparáveis
a quem não se escondeu.
é, foi um dia esquisito pra quem tava na rua...
e até hoje me arrependo quando abro meu guarda-chuva
quando começou a chover verdade.
a violência das palavras quebrou janelas
e parou algumas máquinas.
na tv o noticiário subestimava,
lá fora o povo se desmassificava.
covardes buscaram marquises,
poderosos se trancaram em casa,
mas muitas crianças saíram às ruas
e famílias se encontraram nas praças.
a chuva fez estrago
destruiu, libertou e esclareceu.
deixou sequelas irreparáveis
a quem não se escondeu.
é, foi um dia esquisito pra quem tava na rua...
e até hoje me arrependo quando abro meu guarda-chuva
diáspora da solidão
Ele traz consigo a desumanidade da juventude
Aparece (toca, atravessa, manifesta, usa, põe, dispõe) e desaparece.
Tatua experiencias trágicas
poesias, angustias e frustrações.
Da carne, desencarna
Porque a solidão é maior quando compartilhada entre corpos vazios.
Aparece (toca, atravessa, manifesta, usa, põe, dispõe) e desaparece.
É um espectro. Um fantasma.
Caminha, rasteja. Soturno, espírito baixo.
Caminha, rasteja. Soturno, espírito baixo.
Tatua experiencias trágicas
poesias, angustias e frustrações.
Da carne, desencarna
Porque a solidão é maior quando compartilhada entre corpos vazios.
Vinhos fermentam e azedam
Cigarros queimam e enjoam
E o tempo não nasce ou morre. Apenas se arrasta.
a denúncia do elevador
No prédio onde eu moro, o elevador fala. Quem já veio aqui, sabe.
É uma voz feminina. Ela dá bom dia, boa noite, fala o dia da semana, a hora e a temperatura. Super educada. Ali no elevador, diante do vazio dos corredores, ela é uma companhia improvável pra quem quer receber um pouco de atenção quando sai de casa. Mas a principal função dela, eu tenho percebido, é denunciar uma grande de crise moral no Edifício Realeza.
Não é de hoje que eu percebo, já são quase oito meses aqui: Vagabundo entra no elevador, ganha o CARINHO de uma voz metálica, recebe um bom dia maneiro, tal, chega no térreo e é INCAPAZ de fazer o mesmo com o porteiro. Isso quando também não o faz com quem já tá no elevador. Na boa: EU BOLO com essas pessoas.
Essa não é uma discussão sobre educação e engana-se quem pensa que um "bom dia, tudo bom?" é mera formalidade. Não é. Essa é uma cordialidade que tira as pessoas da invisibilidade, que as transforma em alguém, que expressa zelo e humildade. É um mimo, um acontecimento que quebra o gelo, uma demonstração de carinho de uma pessoa pra outra, ainda que sejam desconhecidas.
O mundo tá realmente entrando em crise. No mercado tem alface picadinha e lavada, cenoura ralada e bolo que não foi feito pela sua vó. Até escondidinho de carne industrializado dá pra comprar. Só que agora MECANIZARAM O BOM DIA DO MEU PRÉDIO! Estamos nos afastando da autêntica felicidade que existe nas pequenas coisas, da beleza simplista da intimidade humana, do elo que nos conecta. Enfim,
Não vejo muito pra onde ir. Acho que é isso.
Bom dia! Hoje é quarta-feira, 28 de março, 10 e 50 da manhã. Fazem trinta e dois graus.
É uma voz feminina. Ela dá bom dia, boa noite, fala o dia da semana, a hora e a temperatura. Super educada. Ali no elevador, diante do vazio dos corredores, ela é uma companhia improvável pra quem quer receber um pouco de atenção quando sai de casa. Mas a principal função dela, eu tenho percebido, é denunciar uma grande de crise moral no Edifício Realeza.
Não é de hoje que eu percebo, já são quase oito meses aqui: Vagabundo entra no elevador, ganha o CARINHO de uma voz metálica, recebe um bom dia maneiro, tal, chega no térreo e é INCAPAZ de fazer o mesmo com o porteiro. Isso quando também não o faz com quem já tá no elevador. Na boa: EU BOLO com essas pessoas.
Essa não é uma discussão sobre educação e engana-se quem pensa que um "bom dia, tudo bom?" é mera formalidade. Não é. Essa é uma cordialidade que tira as pessoas da invisibilidade, que as transforma em alguém, que expressa zelo e humildade. É um mimo, um acontecimento que quebra o gelo, uma demonstração de carinho de uma pessoa pra outra, ainda que sejam desconhecidas.
O mundo tá realmente entrando em crise. No mercado tem alface picadinha e lavada, cenoura ralada e bolo que não foi feito pela sua vó. Até escondidinho de carne industrializado dá pra comprar. Só que agora MECANIZARAM O BOM DIA DO MEU PRÉDIO! Estamos nos afastando da autêntica felicidade que existe nas pequenas coisas, da beleza simplista da intimidade humana, do elo que nos conecta. Enfim,
Não vejo muito pra onde ir. Acho que é isso.
Bom dia! Hoje é quarta-feira, 28 de março, 10 e 50 da manhã. Fazem trinta e dois graus.
areia movediça
não tem intensidade.
não tem som,
força,
ou propósito.
é uma frequência simplista.
como o toque de uma única nota musical
que se estica e se arrasta
despreocupada em acabar.
(não acaba)
lentamente te convida
e quando você pisa
(silêncio)
era areia movediça.
não tem som,
força,
ou propósito.
é uma frequência simplista.
como o toque de uma única nota musical
que se estica e se arrasta
despreocupada em acabar.
(não acaba)
lentamente te convida
e quando você pisa
(silêncio)
era areia movediça.
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