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furnas

sonhos amanheceram no interior de minas gerais.a cidadela agonizava em roncos de máquinas. algo maior estava para acontecer.

olhos entreabertos, cabeça no lugar. no coração. ventos traziam o chamado do concreto e da natureza. do antigo e do novo, ambos reutilizáveis. recicláveis a ponto de transparecer esperança.

todo clímax é hostil. a represa inundou novas formas de vida. tudo que um dia foi vivo estava ali, observando. me observando.

a tempestade elétrica se fundiu com a noite. pirotecnia nas nuvens. nos encharcados sentimentos. fazendo do medo, paz. redenção.

só de abrir a boca a ambição comeu terra. o caminho é rico, mesmo sem moedas nos bolsos. nele tem eu e você. tem películas analógicas e balões vermelhos.

como aquele seu sorriso, a redenção está na pureza. e assim o curso do rio desviado aprofundou-se nos lençóis do coração de um menino-combatente: 

liberdade há de ser maior.

hemorragia

é
tua boca sangrando a minha
    naquele batom vermelho.
é  tua prova, tua prosa,
tua ideia tomando nota/
                em mim.
       dizendo que vim. dizendo que sim.
   é abraço de novo mundo/
            de novo tudo. de todo modo.
    é encontro sem cronometrar tempo
         nos lençóis construir templo/
         perder manhãs em horas desregradas.
   é troca de roupas,
                veste de nova família/
     em camisas | ao avesso.

e essa inundação/ além do que vai dar,
                  eu não preciso estancar.

Central do Brasil

vergalhões de aço nasceram de substantivos primitivos.
a pino, a Central do Brasil. faminta.

suor e sangue secaram debruçados em dissertações singulares.
a carcaça caminha cansada na calçada
o asfalto transpira meio dia.

bicho homem evolui mais uma vez.

setecentos mil pêndulos diários. imortais o ano todo.
seres e coisas, cimentos e abstratos. corujas na alvorada.
estados, processos, acertos e erros. morcegos no vão.

substância e existência
ferro fundido
designa ser (designa o ser)

substantivado. como os galhos de uma árvore

que amigo

Olha como é nossa maturidade, sádica. Durante toda a infância vivi sem um amigo imaginário sequer. Nunca precisei de um. Hoje, aos 22, tenho vários. São vocês, leitores do blog. Que entram aqui diariamente, comentam e debatem os textos numa mesa de bar. Então eu queria dar-lhes um sincero "muito obrigado". E o faço de coração, gente. Se vocês fossem reais isso aqui não existiria da forma que é.

nota de rodapé

das palavras minhas que brotam de ti
           todas são chamadas nossas.
então nunca fale meu poeta
  quando a poesia for você.

peixinho

em luzes apagadas, te aponto estrelas pintadas em céu,
mas se é pra clarear, nos amamos também em dia de sol.

à casa

em palavras te desenhei na parede
denotações disfarçadas em versos.
inversamente, ávida, você invadia a vida.

desde a parede, portas abertas
versos depois, móveis na casa.
             , vir aqui não dói nada.

então sai dessa praça
cessa pirraça
vira e disfarça
desfaz toda a farsa
deixa o resto e me abraça
e mora em mim que é de graça.