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signo proibido

com a ponta dos dedos
acendi uma constelação.
pra deslizar linhas
desenhar estrelas no teu dorso,
encontrar o cosmo do teu corpo.
sair do vácuo
enfrentar o evento único e fantástico
do universo entrando em expansão.

negação bateu asas

negar, seja a liberdade ou o conformismo, me faz viver.
porque tem negação que aprisiona,
mas também tem negação que liberta,
e tem não que diz sim:

"sim, eu tenho escolha.
me recuso a me submeter"

e voltou a bater asas.

a marionete mestiça

eu sou a navalha que rasga a madrugada
errática
erótica
medrosa
e descontinuada

alma desajeitada

marionete mestiça do diabo
filha do hedonismo
cachaça onde agonizo
me deito no colchão áspero do destino.

o nada e o vazio

solidão pode ser um posicionamento específico de consciência
um necessário estado de subserviência a si.
regressão aos pensamentos
digressão. o nada e o vazio.

o som dos carros voam pela rodovia ao fundo.
os prédios pousam na paisagem por trás da grande janela no rio comprido.
junto, vem o agudo barulho das lembranças,
incessantes ruídos e fragmentos de memórias.

fósforos queimados. pó e brisa.
quietações. que se vão junto à fumaça
dois, três, quatro. e depois tudo volta.
ela abre a porta. e estamos presos novamente.

novena

olhar para dentro,
e se encontrar
reconhecer-te
= = =
é no berço
em que se nutre o começo
e se descobre de novo
como quem devora um terço
= = =
encontro na fé
um caminho
a pé
de paz

frações

em sete segundos o mundo vira,
a vida acaba
a chama extingue. ou reacende, do nada.

em sete segundos. ou menos, não sei. não contei.

posso ser estatística,
estigma
testemunha, vítima.

cara, foram sete segundos. ou um pouco mais, não sei.

o pensamento é inocente
e das projeções, saem visões escorregadias
viver é o que interessa.

um instante, ou sete. frações. elas definem tudo.

o amargo e a maresia (cotidianos afetos)

viver entre o suficiente e o agradável.
talvez o ideal não more tão distante disso.

não fariam falta os gordos salários.
nesse beco,
ter mais significa gastar mais.
e só.

porque sorriso eu improviso
em cotidianos afetos.

mas vejo a praça desarrumada
vejo diálogos virtuais
e sinto o quão vazio é o frio,
o amargo e a maresia.

quem sabe ainda te cobre por tamanha impessoalidade.